A WeGon agora é parceira da United Pole Artists

A WeGon agora é parceira da United Pole Artists

Oficializamos o nosso casamento. Agora WeGon é afiliada à maior plataforma do mundo do Pole. A United Pole é internacionalmente conhecida e alcança hoje quase 200 mil pessoas.

Assim, nossos parceiros terão visibilidade em todo mundo. Já pensou anunciar com a WeGon e de quebra sair também da UPA? Agora isso já é possível! Entre em contato conosco no email contato@souwegon.com.br para mais informações! (Válido para marcas, studios e artistas que gostariam de posts VIPs patrocinados).

Achou pouco? Agora todos os eventos que contarem com a cobertura WeGon estarão também no Instagram da United Pole Artists! Assim a WeGon divulga cada vez mais os artistas da América Latina. Gostaria de nos ter presente no seu evento? Entre em contato conosco!

Estamos ansiosos para começar os trabalhos de 2019!

Fiquem ligados!

Carioca ou Cairoca?

Carioca ou Cairoca?

O caminho para o trabalho

Ainda sobre a minha vida no Cairo, levo uma hora de Garden City a Sheik Zayed, onde fica outra filial do Studio onde eu trabalho. Tempo suficiente para pensar (pausa pra tirar foto das pirâmides) sobre o atentado contra os turistas que aconteceu semana passada. Confesso que a notícia me deixou muito triste pois o Egito é um país que vive do turismo e isso interfere muito na sua economia (porém aqui no Egito mesmo ninguém falou nada sobre isso, repercutiu muito pouco). Um acontecimento como esse só reforça os estereótipos envolvendo principalmente a religião islâmica. Mas o que mais tocou foi o tanto que a notícia pareceu chocar amigos e familiares.

E o motivo é só um: como se eu não fosse do Rio de Janeiro. Para quem não sabe, eu morei um ano em Melbourne, na Austrália. E exatamente nesse momento, nesse Uber, olhando o Cairo pela janela eu percebi. O Rio está muito mais próximo do Cairo que de Melbourne. Tá achando que é mentira? Vou te dizer todas as minhas razões para acreditar nisso. E juro, não vou nem entrar nos aspectos economia, governo e corrupção, já falei sobre isso antes. Vou falar de cultura mesmo.

Os westernized

Primeiro a sociedade é basicamente dividida em duas: as pessoas bem locais e os westernized. Esse segundo grupo é formada por pessoas que tem mais dinheiro e acesso a culturas de fora. O Cairo tem muitas escolas internacionais, as pessoas aprendem mais inglês que árabe e normalmente viajam muito. Apesar da moeda local ser desvalorizada, o Egito é muito perto da Europa, então as pessoas viajam muito pra lá. E no Rio até onde eu sei, essa é a comunidade carioca, dividida dessa forma. É óbvio que isto está muito relacionado a dinheiro e oportunidades, logo também a desigualdade social. E falando de Melbourne, a desigualdade social na Austrália é quase inexistente.

O calor dos egípcios

Ainda falando sobre costumes, os egípicios são muito calorosos, barulhentos, festeiros, amigáveis, receptivos. Em todas as festas que vou aqui as pessoas dançam, se divertem, se conhecem. Na Austrália as pessoas apesar de serem também bastante abertas (longe de serem como os europeus) ainda são bem menos brasileiras que os egípcios! Aliás, falando em calor, até nisso o Rio é mais parecido com o Cairo. Melbourne é uma cidade que faz calor de verdade por poucos meses, já o Cairo tem dois meses de inverno. O resto você já sabe. Ou vocês achavam que a Rua da Alfândega é chamada de Saara por quê?

A vida da cidade

O Cairo é uma cidade que tem muita vida, muita gente, muitos cafés e restaurantes legais. As pessoas sempre se encontram, sempre saem juntas. Além disso, é uma cidade que funciona 24h. Dos meus amigos egípcios, a maioria acorda tarde e trabalham até mais tarde, 11h da noite as pessoas te ligam, querem resolver assuntos de trabalho. O trânsito aqui é um caos, não tem regra nenhuma (nisso o Rio se parece mais com Melbourne, que apesar do trânsito, existe uma legislação). Mas no geral, como você pode perceber, a vida no Cairo é bastante carioca.

A religião

O que talvez seja mais diferente entre o Cairo e o Rio seja a religião e os costumes que vem dela. PORÉM, NÃO SE ENGANE. Novamente a população se divide em duas, os muito religiosos e os que são mas não praticam. Além disso, não pense que é uma cidade só de muçulmanos, vemos muitas igrejas cristãs. Vai dizer que no Rio (no Brasil até) não é assim??? A única diferença que é claramente perceptível é que aqui as mulheres usam hijab e a forma de se vestir, se comportar e se relacionar em casal muda. Já na Austrália, a grande parte da população é a ateia, agnóstica ou católicos não praticantes. Ou seja,  a religião é quase imperceptível.

Pode você acreditar ou não, mas a minha vida no Egito é bem próxima da minha vida no Rio. Mas eu não uso havaianas para todos os lugares =D

Meu ano novo no Deserto do Saara

Meu ano novo no Deserto do Saara

De frente para a fogueira no deserto

Estou sentada de frente pra fogueira no meio do breu. Somos um grupo de quase 30 pessoas. Onde estamos? No meio do deserto do Saara. Mais especificamente no deserto branco. Comendo marshmallow, fumando shisha, tomando chá. Novamente, a música árabe toca. Dessa vez, ao vivo. O grupo trouxe seus instrumentos.

Jantamos sopa e frango feito na própria fogueira. Acabei de voltar do banheiro e você pode imaginar onde fiz minhas necessidades. Só digo que a vista das estrelas era linda.

 

Imagina estar em um lugar onde a civilização não chegou, onde não se vê vida, onde a poluição está longe. Chegamos às 18h, um pouco depois do por do sol. É dia 31/12/2018, daqui a uma hora será ano novo aqui. Não visto branco esse ano. Estou toda de preto e casacão de frio. Também, é a primeira vez em 6 anos que meu reveillon não tem álcool. Mas tem uma alegria e uma energia que jamais poderia imaginar há um ano atrás.

Os egípcios cantam, levantam, dançam. É um típico ano novo árabe. E eu estou feliz de fechar 2018 dessa forma, resignificando as coisas da vida.

O pôr do sol

 

Não tenho minha família por perto, nem amigos de longa data. Me sinto mais comigo mesmo do que nunca. Mas  não me sinto sozinha na minha própria companhia. Toda essa experiência tem me feito apreciar o tempo que tenho comigo. Acho que comecei gostar de ouvir minha própria voz nos meus pensamentos e isso faz ainda mais sentido aqui agora. (pausa pro parabéns pro amigo Mohamed em inglês, árabe e português).

 

 

Em breve farei um post contado a expriência completa.

Mas é isso, que 2019 venha com força. Vem que eu estou pronta. Amém.

renata alfinito definição de sucesso

Renata Alfinito: “a noção de que sucesso vai muito além”

A Renata compartilhou com a gente um pouco das percepções dela ao longo dos seus anos de pole (Foto: Rudolph Lomax / Reprodução)

São 8 anos de pole dance

Treinei muito, dei muita aula, conquistei muita coisa, tive experiências incríveis. Quem me conhece há muito tempo sabe o quanto evoluí, o quanto tive que ralar pra chegar até aqui, o quanto me machuquei (física e emocionalmente) e que isso tudo não foi sozinha. Fiquei mais forte e mais flexível, mas sabe o que eu mais ganhei nesse tempo todo? A noção de que sucesso vai muito além da quantidade de alunos que você tem em sala, muito além de quantos m² seu espaço tem, quantas barras você tem ou quantos títulos ganhou. Se você não sabe ver o outro e não tem a consciência de que não somos máquinas, você não tem nada. Tenho batido nessa tecla ultimamente para lembrar todos os dias: não somos máquinas. Nem eu, professora, que assim como qualquer um em qualquer trabalho várias vezes acorda pensando “puts, hoje eu tô muito quebrada, tô passando mal, tô doente mas não tô morrendo então vou lá fazer a diferença no dia de alguém” ou então “meodeosdoceo hoje não dá, não tô legal mesmo, preciso de alguém pra ficar no meu lugar” e TÁ TUDO BEM. Sim, tá tudo bem. Não somos máquinas. Nem você aluno que tem um dia desgraçado no trabalho e chega tarde pra fazer aula ou prefere começar o dia assim pra ver se dá uma animada. A verdade é que todos temos dias ruins, problemas, vontade de chorar em posição fetal e gritar “eu quero a minha mãe”. A gente merece feriado, a gente merece olhar pra dentro, ver que não estamos bem, dar uma pausa pelo tempo que for necessário e como fala uma das minhas músicas favoritas do Ed Sheeran:

“Loving can hurtㅤ
Loving can hurt sometimesㅤ
But it’s the only thing that I knowㅤ
When it gets hardㅤ
You know it can get hard sometimesㅤ
It is the only thing that makes us feel alive
ㅤ…
Loving can healㅤ
Loving can mend your soulㅤ
And is the only thing that I know, knowㅤ
I swear it will get easierㅤ
Remember that with every piece of yaㅤ
And is the only thing we take with us when we die”

É isso. Eu escolho o amor sempre, por mim e por qualquer outra pessoa. E você?

Como é o Cairo (Garden City)

Como é o Cairo (Garden City)

O Cairo.

Um mês nessa cidade. Antes de começarmos a leitura, vale sabermos que: O Cairo é a maior cidade do mundo árabe e da África. A cidade tinha 7,9 de milhões habitantes em 2008 e sua região metropolitana tinha aproximadamente 24 milhões habitantes, fazendo do Cairo a 13.ª metrópole mais povoada do mundo. (dados Wikipédia).

Confesso que eu ainda não consegui aproveitar por completo o que a cidade me traz por alguns motivos (falarei mais para frente) mas quero trazer a minha percepção da cidade como um todo.
Nesse texto vou falar sobre Garden City, a área onde eu moro. Garden City é o centrão da cidade, onde estão os prédios do governo, as embaixadas, o museu no Cairo e a praça onde foi a revolução. O Nilo está a poucas quadras de mim e a gente o cruza a todo momento. Assim como em outros lugares, a cidade cresceu em volta do rio, pois a água é a fonte da vida.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Imagem: A chave do Nilo

O agito da cidade

E assim como todo centro de cidade, a gente vê de tudo. Pessoas de todos os tipos, muitos carros. MUITA BAGUNÇA. A impressão que o Cairo passa é que foi uma cidade que parou no tempo. Uma cidade que foi muito rica e desenvolvida há alguns anos atrás e em algum ponto isso tudo parou. E isso é verdade, tem a ver com política. O Egito como um todo foi assim. O país era uma capital da moda mundial há até pouco tempo atrás. A tecnologia aqui é comprometida em vários âmbitos, desde os departamentos do governo (esquece banco de dados, aqui é tudo no papel, se você reclama de burocracia no Brasil, saiba que estamos muito bem!) até os estabelecimentos onde a principal forma de pagamento ainda é dinheiro físico.

O turismo

E devido a todas essas mudanças políticas do país, a principal fonte de economia do país caiu drasticamente. Estamos falando do turismo. Já falei outras vezes pelo meu Instagram que o Egito não está preparado para os turistas. Voltarei a falar disso em um outra oportunidade aqui no blog. Mas a verdade, achei que fosse ver turistas (principalmente europeus) em todos os lugares aqui. Quase não vejo turistas andando nas ruas, nem em Garden City. Inclusive, quando fui às pirâmides, a maioria dos turistas que vi eram também árabes.
Como destruir o seu inimigo? Corte suas fontes de riqueza, certo? Destrua sua economia. Nesse caso, o turismo. Espalhe que o país é perigoso, que tem guerra, atentados, que seu povo é conservador, que a cultura não é receptiva. E foi isso que a mídia fez com o Egito. Quando vim pra cá MUITA gente me perguntou “Mas você não tem medo?”.

 

A segurança

No geral, o Cairo é uma cidade muito segura. Os prédios não tem porteiros, os portões ficam abertos. Ninguém vai te assaltar, ninguém vai roubar seu celular. E aqui não é por medo de ser preso ou sofrer as consequências da lei. É porque Allah está vendo e as leis divinas não falham. Todos os lugares que você for tem detectores de metal e raio x. Festas, shoppings, restaurantes, lugares públicos. “Ah, mas a cultura não respeita a mulher” Em partes. Não é um tema para agora. Mas a cultura respeita (e muito) o turista! Somos tratados de forma diferenciada, de uma forma muito receptiva e o motivo é óbvio: turistas fazem a economia rodar.

 

Os contrastes

No geral, estamos falando de uma cidade de contrastes. Uma população muito pobre e uma minoria muito rica. Pessoas de todos os tipos. Aqui, as pessoas falam inglês, diferentemente do Brasil, a maioria dos restaurantes, mercados, estabelecimentos das áreas nobres, você conseguirá se virar em inglês. Mas em outros lugares, é zero inglês, é na mímica e é isso aí. Já dei essa dica antes. Se vier para cá, aprenda pelo menos os números em árabe. Vai te ajudar muito! Lembra que no início desse texto eu disse que eu ainda não tive uma experiência grande andando pela cidade? É porque eu evito muito sair de casa sozinha. Eu não falo árabe e sou um ET branco loiro né (apesar de muitas pessoas falarem que eu tenho cara de egípcia e virem falar comigo em árabe).

O trânsito

Voltando a falar da bagunça. O trânsito do Cairo é realmente muito louco. Não tem sinal de trânsito. Não tem faixa de pedestre. É um sentimento de cada um por si e que se dane o carro do lado. A maioria dos carros tem arranhões, lataria amassada e é NORMAL. Todo dia se vê uma batida, nada tão grave. Para tirar a carteira, basta ter 18 anos e pagar. E como os serviços de transporte público são bem precários, todo mundo prefere andar de carro. Mesmo que o carro claramente não tenha condições de andar HAHAHAH Chega a ser engraçado. As vans são comuns e elas param em qualquer lugar, a qualquer hora, do nada. Os carros trocam de faixa alucinadamente. Se você me perguntar qual o som do Cairo, BUZINAS! BUZINAS O TEMPO TODO. Para tudo se buzina. Agora, se você for pedestre, muda um pouco de figura né. Porque é se jogar na frente dos carros para atravessar, sem pena da vida, só vai. E os carros diminuem a velocidade, porque todo mundo sabe, é assim que se atravessa rua no Cairo! Lembra que eu disse que aqui tem muitas embaixadas? Então, eles fecham ruas aqui o tempo todo para pessoas do governo passarem, o que não ajuda em nadaaaaa o trânsito caótico do Cairo. Todo dia tem algo parecido. Porém, às sextas feiras as ruas ficam vazias, pois aqui é domingo deles, onde todos se resguardam para as orações.

 

 

 

A poluição

Como toda grande cidade do mundo, Cairo é uma cidade com poluição. Mas aqui vemos de todos os tipos. Em Garden City é difícil ver lixo jogado nas ruas, mas em áreas menos nobres é bem comum. E por isso vemos muitos cachorros de rua. E gatos. MUITOS GATOS. Naquele estilo gato selvagem que mia e briga na rua o tempo inteiro (a gente ouve muitoooo). Além disso, a fumaça dos carros não ajuda, o trânsito intenso menos ainda. Areia se vê na rua em qualquer lugar, afinal estamos no meio do deserto. E é difícil manter as casas limpas (pelo mesmo motivo). Em questão de poluição sonora, não temos nem o que dizer né! E nunca vi no mundo uma cidade com taaaaaaanto outdoor!!!! Tanta publicidade!

Por hoje é isso que tenho para dividir. Para seguir minha rotina mais de perto, vá lá no meu Instagram @livelovepole.
Volto em breve!!!
Beijos!
Giulia